domingo, 20 de janeiro de 2013
O frio às vezes cinza às vezes azul e a ansiedade subindo e descendo ruas, procurando te perder. Como é que se perde propositalmente aquilo que se encontrou? Perder é sinônimo de querer encontrar e a gente sempre perde aquilo que acredita ser o grande achado. E quando se quer perder o que se achou? Quando não se quer mais ter o que se achou? Se eu te enterrasse, saberia sempre onde te guardei e poderia encontrar você de novo. É como aquele filme do brilho eterno sem lembranças, sabe? Se desse pra encaixotar pessoas como se encaixotam coisas. Aquelas coisas que depois a gente nem lembra que existiam. E eu falo sozinha com você sobre o redemoinho em que acabamos caindo e que pra mim soa como uma piada de mau gosto sua e você, em resposta, acende um cigarro. Olha pela janela, arregala o olho e mira o infinito. Em resposta, se cala. Eu que só sei viver de palavras – me perco, procurando te perder. Já que te achar acabou em frio de céu nublado.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Daí vem aquele momento em que você descobre que não sabe mais para que lado da cama virar sem que você pense nele. Lembrar de cada canto do apartamento e do cheiro de cigarro com balas ardidas e violão se tornou um vício. E a saudade é como aquela que a gente sente de gente que morreu, já que as lembranças (boas, disse ele, torturantes, disse eu) se perderam no encaixotar da vida. E às vezes parece que estou no tempo antigo, quando eu esperava ele aparecer na janela para sorrir com olhos de menino. De todo o pouco que não me restou, ando pisando duro pelos corredores, para você nao me ver cair.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Depois daquele som
Quando a gente dividia as ansiedades você não tinha esse olhar atravessado de angústia. Eu queria aquela sua ânsia de me ter e de meter, quando a gente conversava em silêncio sobre nossa alegria de termos nos encontrado. Depois do avião que foi e voltou, alguma coisa se perdeu em terra ou em mar e que te deixou com essa cara de quem tem o peito dolorido. As costas doem, mas elas somatizam aquilo que tem tomado conta do seu peito, do seu fígado, do seu estômago. E na minha brincadeira de ser adolescente, fico sonhando em ter um dia os seus olhinhos miúdos que me diziam que era eu quem poderia te fazer dormir em paz.
terça-feira, 31 de maio de 2011
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
about distance
de todo o amor que você diz me dar
guardo somente aquele que me faz
lembrar
que o Sol no nordeste se põe mais cedo
.
guardo somente aquele que me faz
lembrar
que o Sol no nordeste se põe mais cedo
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
7 estados acima
Se sentisse a intensidade de mundo que vive aqui dentro, o ir sem pensar em voltar não seria tão desmedido. Uma mulher sustentando por duas vidas o peso e as sobras de um amor-cumplicidade, colorindo de branco-constelação e rosa-esperança o (seu) caminho de volta pra casa. A espera é uma espécie de suicídio quando o que está dentro parece não caber fora, no espaço-tempo agonizante – quando o seu ir é sinônimo do meu ficar. E só você entende o casulo em que nos fechamos por desgosto do que não é nossa paz, nossa busca-vida-simples, nossa eterna inocência em acreditar no amor primitivo. Na nossa coragem necessária de buscar. E continuar a viver simplesmente.
Enquanto uma promessa não feita e nem desfeita sustenta todo o sonho-sol-mar-azul de te encontrar antes que o tempo se dissolva.
Enquanto uma promessa não feita e nem desfeita sustenta todo o sonho-sol-mar-azul de te encontrar antes que o tempo se dissolva.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
O querer
o querer ou a sutil vontade do querer, que se confunde nos projetos de desejo. cada centímetro inexplorado do seu corpo, que tanto meu foi. tão vazio de mim cheio de si. e eu cheia de mim, procurando por entre as possibilidades do viver, acertar aquela intensidade prometida, como promessa desfeita, com prazo de validade. aquela intensidade suspensa no ar, seguindo a vontade do vento, que ninguém sabe onde nasce e para onde vai. o querer ou a sutil vontade do querer estar. que não está, no entanto. que não é, no entanto. que apenas respira em um profundo sono de aconchego. Toda um emaranhado de sentimentos desencontrados e desprogramados – que tentei explicar. E é para explicar?, você disse. e eu respondi que não, mas aquela nossa intensidade perdura vazia no tempo e no espaço.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Guitarra e Ossos Quebrados – Quique Brown
Eles juntaram todas as economias, arrumaram as poucas mochilas, pegaram seus instrumentos e embarcaram em direção à Europa. Em Guitarra e Ossos Quebrados, Quique Brown, vocalista do Leptospirose (Bragança Paulista), relata em um diário de bordo cada momento da turnê de sua banda junto com os capixabas do Merda por terras européias essencialmente punks. De pepinos no café da manhã e shows em squats até noites mal dormidas e um acidente de van que colocou fim à empreitada, todos os episódios estão reunidos em um livro escrito sem nenhuma pretensão de ser literário, mas, ao mesmo tempo, curioso, envolvente e, melhor ainda, recheado de fotos. O exemplar pode ser adquirido pelo site da Laja Records.
Läjä Records. Espírito Santo. 2007
Läjä Records. Espírito Santo. 2007
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