quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Normalmente, as pessoas têm incrustado na consciência que o Carnaval, além de ser o feriado mais prolongado do ano, gira em torno de viagens incríveis, bebedeiras, all-night-long, ninguém é de ninguém e esquecer que o mundo existe. Mas é claro que nem todos fazem as malas e perdem horas em estradas e muito menos adoram essas festividades. Muito pelo contrário: tem gente que dedica esses sagrados dias à colocar a cabeça e as mãos para trabalhar.

É o que acontece no Carnaval Revolução, que em sua sétima, e última, edição (antes realizado em Belo Horizonte) convida os paulistas que ficarão pela cidade - e qualquer interessado de outras localidades - a participar de três dias dedicados a palestras, shows, debates e oficinas sobre assuntos mais do que relevantes (essenciais!) de nossos dias. Veganismo, anarquismo, punk, gêneros, mídia, meio-ambiente e todo o tipo de contracultura de grupos independentes fazem parte da agenda de discussão. Tudo no esquema faça-você-mesmo.

As atividades serão realizadas no Espaço Impróprio (R. Dona Antônia de Queirós, 40) e na E.E. Profª Marina Cintra (R. da Consolação, 1289), dias 2, 3 e 4 de fevereiro. A entrada para cada dia custa R$6,00, há alojamento em frente ao local para quem vier de fora e toda a alimentação vendida será vegana. Além de tudo isso, um aviso importante: sem drogas ou álcool no local e ao fumar seu cigarro use o bom senso.

Enquanto no país inteiro é comemorado o Carnaval-esbórnia, em pequenos espaços paulistanos será comemorado um Carnaval consciente.

Para saber mais:

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

São Paulo em números

A cidade de São Paulo possui:

10,8 milhões de habitantes
5,9 milhões de veículos
280 salas de cinema
71 museus
15 mil bares
12.500 restaurantes
91 mil ruas
5.500 semáforos
349 mil placas de trânsito
240 mil lojas
800 linhas de ônibus.

Incrível.

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Pintassilgo

Pesquisando imagens do Dr. Strangelove no Google, acabei achando um site muito legal, (que despertou meu lado mulherzinha consumista), onde vende almofadas com estampas baseadas em cartazes de filmes. Tem desde Laranja Mecânica e O Poderoso Chefão, até Almodóvar e Amélie Poulin. A loja é de Florianópolis, mas dá para comprar pelo correio. Vai a dica:

http://www.pintassilgo.com.br/

Stanley Kubrick - Dr. Strangelove (1964)


Mas, precisamente, senhor Presidente, não só é possível, é essencial. Essa é a idéia exata dessa máquina. Intimidação é a arte de produzir no inimigo o medo de atacar. E assim, graças ao processo decisório automatizado e irrevogável que exclui a interferência humana, a Máquina do Juízo Final é aterradora, simples de entender e completamente confiável e convincente.


Às vezes me pergunto se não há mesmo no mundo uma Máquina do Juízo Final. Se Kubrick é capaz de idealizá-la para um filme, porque algum Dr. Strangelove da atualidade não poderia se incumbir da missão de construí-la?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

David LaChapelle

Tempo há bastante, o que me falta é inspiração e disposição para escrever algo. Mas, para não deixar morrer, sugiro aqui um evento cultural:

Exposição do fotógrafo David LaChapelle
Heaven to Hell: Belezas e Desastres
A mostra fica em cartaz no MuBE – Museu Brasileiro da Escultura (Av. Europa, 218, tel.: 3081.8611) de 23 de janeiro a 5 de fevereiro.
De 3ª. a domingo, entre 10h e 19h, no Grande Salão e no Lobby do museu.

Uma das minhas fotos preferidas:


Tommy Lee

terça-feira, 8 de janeiro de 2008


A vida é bela, o sol e a estrada amarela...
(Chico Buarque)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Se há uma frase que resume Inland Empire (Império dos Sonhos), novo filme de David Lynch, ela foi escrita por Clarice Lispector:


Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca

A pedra no vidro

Ontem fiquei conversando com uma amiga minha sobre essa questão dos homens que ficam abordando mulheres na rua. Ela contou que a mãe dela certa vez estava andando em uma calçada, quando um sujeito de baixo nível em seu automóvel começou a falar coisas desagradáveis e chulas. A mulher passava em frente a uma construção e não teve dúvida: pegou a primeira pedra que enxergou e jogou no vidro do carro do homem, que se espatifou. O cara fugiu e todos na rua a aplaudiram.

Logicamente, esse tipo de atitude é extremamente perigosa e pode muitas vezes acabar piorando a situação para a mulher, mas a mãe da minha amiga definitivamente foi muito corajosa. Se todas as mulheres reagissem assim, que home se atreveria a falar um "a"?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007



Foto: Joana Saramago

Pelo direito de ir e vir (sem ser incomodada)

Estou prestes a lançar uma campanha de repressão contra homens cretinos que desrespeitam as mulheres em seu cotidiano. Não falo daqueles bêbados que espancam suas esposas e nem de estupradores, pois contra eles já existe uma sociedade inteira se mobilizando. Falo aqui daqueles inconvenientes que perdem todas as oportunidades de ficarem calados quando passa uma mulher, seja ela bonita, feia, gorda ou magra, jovem ou velha, mas desde que seja mulher. Falo daqueles infelizes que gastam saliva dizendo bobagens como “oi”, “linda”, “gostosa” e emitem sons com a boca como se estivessem com dor de dente.

Não há nada mais desagradável para uma mulher do que isso. Quer dizer, algumas podem até gostar e sentirem a auto-estima um pouco elevada, mas creio que a maioria detesta e se sente extremamente invadida e desrespeitada. Se não a maioria, pelo menos eu me sinto. Não há motivos para essa deselegância masculina; os homens simplesmente agem dessa maneira estúpida para terem certeza de que existe um pênis no meio de suas pernas. Se eles não provocam mulheres andando na rua, não são homens. Para mim, são uns desclassificados.

É por isso que eu acho que a mulher deveria ter o direito de manifestar seu repúdio contra tais atitudes da maneira que julgasse melhor. Certo dia, estava voltando para casa caminhando na calçada e dois trogloditas, no trânsito, vinham me acompanhando na mesma velocidade em que eu andava e me falando frases esdrúxulas. Fui andando e olhando para o chão procurando uma pedra para tacar no vidro do carro deles, mas pensei que isso seria um tanto quanto inconseqüente. Então, pensei que eu deveria ter esse direito. Não exatamente ter o direito de jogar uma pedra e arrebentar o carro do indivíduo, mas caso eu fosse tomada por esse impulso e fizesse algo do tipo, que existisse uma lei que me amparasse e protegesse. A justiça deveria estar ao nosso lado nessas ocasiões. Nunca vi uma mulher reagir a isso, talvez pelo fato de temer sofrer algum tipo de violência. A maioria finge não ter visto, quando deveria reagir, dizer algo, se defender, porque isso é um verdadeiro desrespeito à liberdade de ir e vir da mulher. Uma mulher não consegue andar na rua tranqüilamente sem ouvir qualquer coisa do gênero.

Mas enquanto a mulher não tem ao seu lado leis que a defenda de tais insultos – isso nem mesmo é cogitado - eu conclamo as mulheres que se sentem ofendidas com esse tipo de coisa a responderem a essas ofensas. Se o cara der “oi”, responda que não o conhece e não tem nenhum motivo para cumprimentá-lo. Responda ao nível da ofensa. Se disser “saúde” pergunte se está doente. Se emitir sons com a boca, pergunta se está com dor de dente. E se o cara falar algo de baixo nível, pegue pesado também e comece a gritar no meio da rua, grite para todos que estiverem ao redor que você foi assediada.

Se o machismo ainda existe, muito é porque as mulheres ainda aceitam determinadas atitudes dos homens e acham normal. Antes de pensar em acabar com o machismo nos homens (creio que isso seja um problema social e não de gênero), as próprias mulheres devem se libertar desse costume e fazer alguma coisa, nem que seja simplesmente dizer a eles que não acha normal.