terça-feira, 11 de setembro de 2007

Horário de Brasília

Quando decidi que iria para Brasília acompanhar dois shows das bandas Busscops e Nerds Attack, ambas de São Paulo, ainda pairava uma certa dúvida na minha cabeça: mas o que é que existe em Brasília além do poder de nosso país? Eu já havia visitado a capital em 2003, porém foi uma viagem de campo, em que não fui em nenhum lugar além de 1km da Esplanada dos Ministérios. Dessa vez, não só conheci rapidamente outros lugares que não o famoso avião de Niemeyer e Lucio Costa, como também pessoas e atividades de lá que nada tem a ver com o pessoal do Congresso Nacional e arredores.

Seca, de um verde queimado, quente, plana. Brasília é assim. E é também o berço de importantes bandas de rock, como Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude e Raimundos. Mas elas ou acabaram ou andam criando coisas estranhas por aí. O que está acontecendo na cena rock de Brasília hoje?

Utgard Trolls

Bandas independentes é o que não faltam. De hardcore, punk ou trash, elas existem aos montes e vão cada vez mais surgindo novas. Em nossa rápida passagem por lá (dois dias de shows) conhecemos lugares e pessoas que mantêm a cena alternativa de pé com muita dedicação. É o caso de Totórs, vocalista do Innocent Kids, que além de organizar diversos shows e abrigar paulistas em sua casa, também cuida de uma distro.

O show organizado por ele no Galpãozinho Gama, na cidade satélite de Gama, teve oito bandas, sendo seis de Brasília. Foram elas: Massacre Bestial, Low Life, Innocent Kids, Utgard Trolls, Orgy Of Flies e Terror Revolucionário. Pessoalmente, dou destaque ao Utgard Trolls, punk pesado, tendo uma mulher na linha de frente com um dos vocais femininos mais fortes que já vi: rouco e agressivo. O Terror Revolucionário também merece atenção, já que além de ter mais de 10 anos de banda, faz um som rápido de conteúdo contestador. A curiosidade é que o Barbosa, guitarrista da banda, serviu seis anos na Aeronáutica.

Há duas horas de Brasília, em Goiânia, o segundo e último show, no Capim Pub. Uma casa (literalmente uma casa, que tem inclusive poço nos fundos) pequena, com espaço para os shows que chega a ser menor que muitos estúdios e que, mesmo assim, não impediu que fossem os shows mais nervosos e animados, com muitos punks na roda, pogando e cantando. O esquema toda improvisado, como o balcão do bar feito de tijolos e tábuas empilhados, reflete a vontade de sempre querer manter um espaço para a música alternativa, mesmo que de maneira precária. E mesmo assim, o lugar encheu.

Talvez essa tenha sido uma lição de que não podemos nunca julgar um lugar por aquilo que nos transmitem na televisão. Assim como o Rio de Janeiro não é somente favelas e traficantes, Brasília não é apenas Palácio do Planalto e engravatados. Existe população com voz ativa, que produz fanzines, cria bandas e organiza shows. Uma voz que sabe atacar o poder.

4 comentários:

RebelSon disse...

Nunca conheci Brasilia, mais todos falam quem é um lugar lindo, interessante ler sobre a centa alternativa de brasilia, pensava que o rock tinha morrido a mto tempo por la hehe...

abraços e obrigado pela força!

M. disse...

ahahahhahaha
não
hahahaha
mas eu quero lembraragora


=o***


domingo hangar?
calibre?

Ana Clara disse...

Sabe que eu sempre me pergunto exatamente isso, "o que aconteceu com a cena rock em Brasília"?

É uma pena, né? Produziu tanta gente boa e importante (não necessariamente as 2 coisas juntas)...

Beijos!

Marcelo Fonseca disse...

Nunca fui até lá...É algo que planejo fazer seja com banda, seja sem. Me disseram que existe muita prostituiçao, nao sei se isso caminha lado a lado com um mundo imerso em corrupçao, ou por ser uma cidade de solitários, de homems e desse perverso magnetismo do poder. Espero que tenha e divertido. conheço o Tótors, grande figura e amigo de varios tempos. Belo scene report.

beijo!