quinta-feira, 6 de março de 2008

A vez da estética de faroeste

As opiniões acerca do merecimento do Oscar de melhor filme para No Country for Old Men são as mais variadas e vão da revolta à excitação. Alguns o julgam ironicamente como “filme feito paras os que entendem da verdadeira arte”, enquanto outros o vêem como uma excelente obra cinematográfica capaz de retratar a violência de maneira diferenciada. Traduzido para o português como Onde os fracos não têm vez, surge apenas um consenso quanto a ele: a discussão.

Tendo como pano de fundo o árido Texas dos anos 80 com uma estética de faroeste, a história se desenrola a partir do momento em que Llewelyn Moss (Josh Brolin), um caçador, se depara com a cena de um crime onde, além de mortos, há uma recheada mala com 2 milhões de dólares. Fugindo com o dinheiro, Moss começa a ser perseguido por Anton Chigurh (Javier Bardem), assassino psicótico contratado para reaver a quantia. Entra em cena então, o xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones). A partir daí, sangue, mortes e suspense vão dar o tom ao longa.

Nada muito inovador quando se trata de tramas hollywoodianas. O diferencial do filme está em pequenos detalhes, capazes de tornar uma história aparentemente banal em uma inovadora obra de suspense. A quase ausência de trilha sonora, um assassino de expressões tranqüilas com um corte de cabelo singular, aliados a cenas de perseguição quase sem ação, mortes frias e nada espetaculares e um final incomum, tornam Onde os fracos não têm vez uma novidade não por seu conteúdo, mas por sua forma.

É claro que a maestria com que os personagens são interpretados pelos atores é fundamental para dar à trama tensão e expectativa. Javier Barden, que ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante, interpretando Anton, chega a trazer um certo ar sinistro, enquanto Ed Tom Bell, o personagem de Tommy Lee, prima pela densidade psicológica.

Tudo isso são êxitos alcançados pelo filme, que explicam o porquê de ter levado quatro estatuetas do Oscar (Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado). Porém, o que a maioria do público questionador dos prêmios coloca é que se trata de um filme incompreensível.

É exatamente neste ponto que se encontra o segredo da qualidade do filme. Trata-se de uma produção cinematográfica que foge do óbvio, do explícito. Pessoas e situações enigmáticas, diálogos com entrelinhas. As dicas do desenrolar da trama são dadas em pequenos fatos e sutilezas, que se passados despercebidos, podem tornar o filme incompreensível, recheado de mistérios sem respostas. Trata-se de um longa para se prestar atenção e juntar as peças reflexivamente. Quem não perdeu uma cena sequer, com certeza adorou. E teve pesadelos medonhos com o psicótico Anton.

Um comentário:

Ana Clara disse...

Geeente, eu tô mega distante de cinema. Só tinho ido assistir a filmes nacionais. Nem sei mais o que tá pegando lá pelas terrinhas hollywoodianas :P